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No mês de Setembro (2001),
Alenquer tomou conhecimento através da imprensa local de um “projecto de
requalificação urbana e ambiental das margens do Rio de Alenquer”.
Apresentado como um pequeno Polis, as notícias falavam em ordenamento do
estacionamento e do trânsito, em pistas cicláveis, em recuperação e
requalificação do património, e até na construção de um parque desportivo
junto às margens do rio (em pleno leito de cheia). Mas afinal o projecto é
muito mais que isso. É também o alargamento e betonização das margens
do rio, entre o Largo Rainha Santa Isabel e a Ponte de Santa Catarina.
Esta solução financiada pelo "Programa
Ambiente" - que está transformar o troço urbano do rio num canal
artificializado (foto ao lado)- merece-nos, mesmo
do ponto de vista da eficiência do escoamento hidráulico, as maiores
reservas. Segundo estudos anteriores, o débito máximo que o vão da Ponte
do Alão é capaz de escoar são 300 m3 por segundo, quando o
caudal máximo para o referido período de cem anos poderá ser muito
superior. De pouco valerá ter secção vazia a jusante se a ponte fizer
transbordar o rio.
No dia 26 de Setembro de 2003 a poluição das águas do Rio de Alenquer voltou a provocar a morte de dezenas de peixes na região do Porto da Luz. Alertada pela população a Alambi esteve no local, constatou a morte de peixes que se ilustra na foto ao lado, e recolheu água para análise. Foram utilizados os meios e equipamentos da associação ao serviço do projecto RIAL. Os valores mais preocupantes estão no oxigénio dissolvido (ou melhor na sua ausência pois em dois casos o resultado foi ZERO, justificando a morte dos peixes), nos fosfatos ( 1 mg/l medidos por nós anteriormente em condições "normais") e no amoníaco (ultrapassou bastante o Valor Máximo Admissível para águas doces p/ fins aquícolas - águas piscícolas).
O processo
conhecido cientificamente por eutrofização, que consiste no enriquecimento
da água com nutrientes, em especial compostos azotados e fosfatos num grau
tal que impossibilita a sua degradação natural. Estes nutrientes que
resultam muitas vezes da actividade agrícola, são transportados pela água
das chuvas e acumulam-se em lagoas e barragens, funcionando como
fertilizantes e provocando a proliferação de algas e microorganismos. Esta
proliferação e a cobertura da superfície aquática, fazem baixar
bruscamente o nível de oxigénio da água resultando na morte dos peixes e
outros seres vivos.
No caso do Rio de Alenquer,
o enorme caudal de água no Inverno permite a oxigenação e regeneração do
sistema, mas a situação não deixa de ser um indicador bem visível das
consequências ambientais das práticas agrícolas do nosso concelho. Fica
desta forma comprovado que qualquer requalificação paisagística ou
ambiental do troço urbano do rio só será viável se for acompanhada de uma
intervenção a montante, por forma a controlar as diversas fontes de
poluição existentes, e que não se resumiam à fábrica do papel.
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