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Rio de Alenquer


 

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Alambi

Apartado 63

2584-909 Alenquer

Tel. 914023930



Betonização das margens

No mês de Setembro (2001), Alenquer tomou conhecimento através da imprensa local de um “projecto de requalificação urbana e ambiental das margens do Rio de Alenquer”. Apresentado como um pequeno Polis, as notícias falavam em ordenamento do estacionamento e do trânsito, em pistas cicláveis, em recuperação e requalificação  do património, e até na construção de um parque desportivo junto às margens do rio (em pleno leito de cheia). Mas afinal o projecto é muito mais que isso.  É também o alargamento e betonização   das margens do rio, entre o Largo Rainha Santa Isabel e a Ponte de Santa Catarina.

   Esta solução financiada pelo "Programa Ambiente" - que está transformar o troço urbano do rio num canal artificializado (foto ao lado)- merece-nos, mesmo do ponto de vista da eficiência do escoamento hidráulico, as maiores reservas. Segundo estudos anteriores, o débito máximo que o vão da Ponte do Alão é capaz de escoar são 300 m3 por segundo, quando o caudal máximo para o referido período de cem anos poderá ser muito superior. De pouco  valerá ter secção vazia a jusante se a ponte fizer transbordar o rio. Por outro lado, não foi sequer equacionada a possibilidade de ser construída uma bacia de retenção a montante da Barnabé, quando essa poderia ser uma solução mais eficaz e mais económica que a adoptada.  A Alambi lamenta que num projecto desta natureza, susceptível de provocar um forte impacte na paisagem urbana, não tenha sido contemplada a audição do público. Alenquer ficaria a ganhar se os Alenquerenses tivessem sido chamados a dar o seu contributo para encontrar a melhor solução. A Alambi faz parte da Comissão de Acompanhamento das obras do rio que até ao momento só reuniu uma vez.


Poluição

As descargas..

O Rio de Alenquer é vítima habitual de descargas de que resulta  a formação de enorme quantidade de espuma junto aos diques e a inevitável morte de peixes.  O cheiro a mosto era intenso e a coincidência de datas com as vidimas, apontam para as adegas que operam nas suas margens. A Alambi recolheu água que foi mandada analisar pela nossa associação, e alerta o Pelouro do Ambiente e a GNR, sempre que é detectada alguma destas situações. Sabemos já que o resultado das análises confirma as evidências de poluição e que a Câmara Municipal já enviou o processo para tribunal. Esperamos que a impunidade não continue.

No dia 26 de Setembro de 2003 a poluição das águas do Rio de Alenquer voltou a provocar a morte de dezenas de peixes na região do Porto da Luz. Alertada pela população a Alambi esteve no local, constatou a morte de peixes  que se ilustra na foto ao lado, e recolheu água para análise. Foram utilizados os meios e equipamentos da associação ao serviço do projecto RIAL. Os valores mais preocupantes estão no oxigénio dissolvido (ou melhor na sua ausência pois em dois casos o resultado foi ZERO, justificando a morte dos peixes), nos fosfatos ( 1 mg/l medidos por nós anteriormente em condições "normais") e no amoníaco (ultrapassou bastante o Valor Máximo Admissível  para águas doces p/ fins aquícolas - águas piscícolas).

 

A eutrofização...

O processo conhecido cientificamente por eutrofização, que consiste no enriquecimento da água com nutrientes, em especial compostos azotados e fosfatos num grau tal que impossibilita a sua degradação natural. Estes nutrientes que resultam muitas vezes da actividade agrícola, são transportados pela água das chuvas e acumulam-se em lagoas e barragens, funcionando como fertilizantes e provocando a proliferação de algas e microorganismos. Esta proliferação e a cobertura da superfície aquática, fazem baixar bruscamente o nível de oxigénio da água resultando na morte dos peixes e outros seres vivos.

No caso do Rio de Alenquer, o enorme caudal de água no Inverno permite a oxigenação e regeneração do sistema, mas a situação não deixa de ser um indicador bem visível das consequências ambientais das práticas agrícolas do nosso concelho. Fica desta forma comprovado que qualquer requalificação paisagística ou ambiental do troço urbano do rio só será viável se for acompanhada de uma intervenção a montante, por forma a controlar as diversas fontes de poluição existentes,  e que não se resumiam à fábrica do papel.

 


Comunicados sobre o Rio de Alenquer